Uma escrita de cunho filosófico e humanista
A frase-título é de Vergílio Ferreira. Passam, hoje, 28 de Janeiro, 100 anos do nascimento deste inesquecível escritor (1916-1996). E nunca é demais lembrar a sua vida e obra. Natural de Melo, uma aldeia do concelho de Gouveia, a sua infância e juventude foram marcadas pela ausência dos pais, emigrantes nos Estados Unidos da América.
Ainda jovem, viveu também uma experiência decisiva para o desenvolvimento das suas capacidades intelectuais, questionamentos acerca do ser e do mundo: a sua passagem pelo Seminário do Fundão, durante seis anos, uma experiência que viria a relatar no livro "Manhã Submersa" (1954), obra depois passada ao cinema por Lauro António (em 1980).
Aos 80 anos, Vergílio Ferreira declarou: “Vou entrar a escrever no paraíso”, produziu uma obra notável, de cunho acentuadamente filosófico e humanista, influenciado pelas principais correntes literárias e de pensamento que então se destacavam na Europa, como o "Existencialismo" de Sarte e de Camus, no entardecer da II Grande Guerra.

Ao longo da sua carreira, como escritor, Vergílio Ferreira recebeu vários prémios. Em 1979, foi condecorado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. O escritor morreu no dia 1 de março de 1996, no seu apartamento, em Lisboa, onde residia, e está sepultado em Melo, virado para a Serra da Estrela, conforme a sua vontade.

João Godim
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