Em poucas palavras pode-se resumir uma lição de vida. A prova está nos provérbios ou nas expressões populares alicerçadas na tradição de séculos, mas passíveis de adaptação em qualquer época. Como um património de sabedoria, também hoje em dia nada melhor do que citar certos "ditados" para se compreender o que está a acontecer à nossa volta, seja em termos de política, da economia ou da sociedade em geral.
A este propósito, lembramos o ridículo em que caíram (e caem) alguns líderes políticos da nossa praça ao defenderem certas circunstâncias incompatíveis com o modo do viver globalizado e mercantilista. É o caso do antigo presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, líder carismático e incontestado durante quase 48 anos. Foi há alguns anos, numa intervenção pública, que o então presidente e também chefe máximo do PSD/Madeira, disse que os chineses eram "persona non grata"..., porque estariam a conquistar terreno e a usurpar direitos de trabalho devidos aos conterrâneos...

O novo presidente do PSD-Madeira, Miguel Albuquerque, está a vender e a arrendar bens do partido, a preços da chuva. Tudo quanto sejam "sombras" do passado é para apagar, custe o que custar. Para já, os chineses agradecem!
Mas, não é que, há poucos dias, no decorrer deste mês de Junho, ficámos a saber que um empreendimento emblemático, o Centro de Congressos da Fundação Social Democrata, localizado em Santa Quitéria, frente ao Madeira Shopping, vai passar a ser uma loja chinesa, virou uma "chinesice", com uma renda de cinco mil euros/mês!?
É caso para se dizer: trata-se apenas de uma "vingança de chinês". Ou então, um simples "sorriso de amarelo" – com os "amarelos" (ou seja, os chineses) vistos pelos ocidentais até como exímios negociadores, capazes de sorrir mesmo em situações de desfavorecimento; ou ainda, tão só a "paciência de chinês", e está tudo explicado...

O mesmo se poderia dizer de outros "ditados", com oportuna aplicação nos nossos dias, como: "Ter o rei na barriga", uma expressão que vem do tempo da monarquia em que "as rainhas, quando grávidas do soberano, passavam a ser tratadas com deferência especial, pois iriam aumentar a prole real e, por vezes, dar herdeiros ao trono, mesmo quando bastardos"; no nosso tempo refere-se a uma pessoa que dá muita importância a si mesma.
Também significativa, com aplicações bem concretas, é a expressão: "Elefante branco". Vem de um costume do antigo reino de Sião, situado na actual Tailândia, que "consistia no gesto do rei de dar um elefante branco aos cortesãos que caíam em desgraça. Sendo um animal sagrado, não podia ser posto a trabalhar. Como presente do próprio rei, não podia ser vendido. Matá-lo, então, nem pensar. Não podendo também ser recusado,
Mais palavras para quê?

João Godim
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