Os especialistas dizem que se trata de um património arquitectónico único no mundo, mas está em risco de degradação total… O conjunto das estruturas que retrata a Via-Sacra, localiza-se na Mata Nacional do Buçaco (Mealhada), conserva 20 capelas do século XVII (1694 e 1695), ao longo de um percurso de mais de três quilómetros, e ainda imagens de figuras feitas em tamanho natural e de barro cozido, que ilustram os passos da Paixão de Cristo durante, a chamada Semana Santa.

A construção deste grupo de “estações”, sobre o sofrimento de Cristo, pertence à Ordem dos Carmelitas Descalços; no início, os passos da Via-Sacra eram rudimentares, estavam representados por uma simples cruz de madeira, sendo depois substituídos por capelas, conforme decisão de D. João de Melo, então Bispo de Coimbra. Além disso, os passos eram representados por pinturas, mais tarde por figuras toscas, e só no final do século XIX os poderes religiosos e públicos encomendaram as figuras perfeitas ao grande artista Rafael Bordalo Pinheiro que, entretanto, nunca foram instaladas; as que hoje se apresentam são do ano de 1938 e são da autoria do escultor Costa Mota.
Esta Via-Sacra, ainda de acordo com os investigadores, foi rigorosamente construída à escala da Via-Sacra de Jerusalém. Vale a pela visitá-la, pelo menos aproveitando estes dias da Semana Santa, para melhor se captar o seu significado espiritual, o alcance cultural e o património arquitectónico que encerra a nível mundial.

João Godim
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