


O litoral continental português está preenchido por extensas praias de areia amarela, uma contemplação maravilhosa mas também muito subjectiva. É uma daquelas imagens em que as aparências enganam. O deserto humano nas extensas praias de areia amarela podem suscitar estranheza a quem está habituado a ver o mar calmo como atractivo para nadar, mesmo que na "babuginha", rompendo as ondas com mergulhos e lançar-se na água com braçadas seguras.
Vejamos as imagens: praia limpa, extensa e mar calmo; fracas ondas e calhau por perto; banhistas poucos e nadadores salvadores muitos. Imagens como estas vimos por todo o literal continental português, excepção para o litoral algarvio (nem todo) e apenas nos meses de julho, agosto e setempro, nem sempre! Nada comparável com o mar português da Madeira e Porto Santo, onde no verão há sempre mais banhistas do que praias de areia, onde os que vão à praia vão para prioritariamente nadar na água do mar.
Uns vão à praia para apanhar sol (o tal bronzear), outros vão para aproveitar o iodo e a água salgada do mar, com permutas alternativas de sol, mar e nadar. A saúde em primeiro lugar. Também por estas ondas atlânticas Portugal é bem diferente. Sabe-se agora que a maioria dos navegadores portugueses ao tempo das descobertas (século XV e...) também não sabiam nadar e muitos morreram afogados em alto mar.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS