As notícias que nos chegam da Venezuela revelam preocupante contradição. Por um lado, o governo diz ter sido democraticamente eleito e por tal defende a legitimidade do poder, por outro lado, o parlamento entende que tem a maioria dos eleitos o que lhe dá direito a assumir a chefia da nação. Extremos opostos que estão a gerar um conflito que apenas aos venezuelanos compete resolver.
A comunicação social venezuelana parece estar parcialmente ausente da situação, distancia-se da tribuna da informação, não dá a notícia pela notícia, deixando os cidadãos órfãos sobre o que se está a passar. Temos na Venezuela vários jornais nacionais: El Nacional, El Universal, El Mundo, Panorama Digital, El Diário de Caracas, 38 estações de televisão, dezenas de estações de rádio, entre outros meios de comunicação social.

Não há mutismo mas “medo” de noticiar? A imprensa é para noticiar e não para auto marginalizar-se. Os 33 milhões de venezuelanos (população) querem uma informação isenta. Os mass media estrangeiros por muito que queiram rigor noticioso estão sempre dependentes dos “informadores”, por muitos credíveis que possam parecer.
Já todos vimos que Juan Guiadó, 35 anos, engenheiro, é opositor a Nicolás Maduro, 66 anos, maquinista. Já vimos que a população está dividida, para não dizer, nalguns momentos, confusa, empurrada para as fronteiras sem saída. A contra informação anda à solta pelas redes sociais. O medo, a pobreza, a insegurança, o incerto dia de amanhã, “matam” a vida das pessoas.

Na Venezuela vivem cerca de 400 mil de descendência portuguesa, mais de 55 mil nasceram em Portugal. De1950 a 1969, chegaram ao território venezuelano 73 554 portugueses, dos quais 38 737 da Madeira, 17 286 de Aveiro e 7 214 do Porto. Venezuela era um paraíso (…) que veio a tornar-se num inferno para todos. Dizem que não há guerra… mas a guerra há muito que começou!

João Godim
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