Experiência e saber caracterizam os carismáticos
Acaba de chegar às livrarias um novo livro do Papa Francisco - “O nome de Deus é Misericórdia”, que tem por base uma entrevista com o jornalista italiano Andrea Tornielli, do diário "La Stampa".
Nesta obra, Francisco comunica, de forma simples e direta, a grande mensagem do Ano Jubilar da Misericórdia, iniciado no passado dia 8 de dezembro; e fala da sua experiência pessoal como sacerdote e pastor, dirigindo-se a todas as pessoas, mesmo aquelas mais afastados da Igreja, que "buscam um sentido na vida, um caminho de paz e de reconciliação, a cura das feridas físicas e espirituais”.
Eleito há quase três anos (13 de março de 2013), Francisco continua a surpreender pelo seu estilo próximo de toda a gente, apesar da solenidade do cargo que ocupa, a ponto de se considerar que para o futuro haverá uma nova data no calendário do Vaticano: antes e depois de Francisco.
Desde que assumiu as responsabilidades da Igreja Católica inovou em todos os campos: deixou de morar no Palácio e foi residir na Casa de Santa Marta, local simples de alojamento para outros membros da Igreja; deixou de usar certas vestes e sapatos tradicionais, começou a viajar por todo o mundo, aproximou-se dos sem abrigo, dos mais desfavorecidos, promoveu conversações ao mais alto nível diplomático (veja-se, por exemplo, o reatar do diálogo entre os EUA e Cuba).
Apontou os pecados da Igreja, dizendo mesmo que esta deve ser uma "tenda de campanha, um hospital" na rua para ajudar a "curar" e a "tratar os doentes", denunciou "luxos" da cúria romana, ilegalidades do IOR ou Banco do Vaticano (o mais pequeno Estado do mundo, mas com uma influência grande nas relações internacionais), apelou aos crentes que não se inibem de dar testemunho da sua fé...., enfim, nestes três últimos anos, vimos um Papa que não consegue estar parado, muito inquieto, desafiador e, sobretudo, homem de ação a bem de todos, ainda que já amado por muitos e, eventualmente, odiado por alguns.
Antes de Francisco, pelo menos desde João Paulo II, ninguém estava habituado a este estilo de "furacão", de "tsumani", que varre o que é preciso de limpar com urgência e põe todos a mexer ..., num verdadeiro clima de festa e de alegria, bem ao jeito das suas profundas convicções.
É um Papa que surpreende a toda a hora, de forma inusitada, sempre inovador, mas grande líder, que é impossível não se render ao seu estilo... Tomara que houvesse assim muitos como ele, ao nível dos governos, dos presidentes...
Será Francisco um irresponsável, por estar sempre em ação, por excessiva exposição pública? Pensamos que não. Trata-se apenas de uma questão de estilo, um modo de ser pessoal fundado na experiência e no saber que caracteriza bem os líderes carismáticos.
A História tem outros exemplos; as condições de atuar é que sempre são diferentes.

João Godim
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