Em 1972, era eu jornalista do DN-Madeira, fui destacado para a inauguração de um aviário. Era o maior viveiro de aves até então na região e, por isso mesmo, lá estavam as mais altas individualidades públicas e privadas. A certa altura fui despertado para o facto dos pequenos frangos estarem sempre a comer ração, era um frenesim imparável, impressionante para um leigo na matéria. Perguntei a um médico veterinário, presente na cerimónia, o porquê das aves nunca pararem de comer? Vou lhe dizer... mas não escreva!: vê aquele fino fio por detrás dos frangos é o que faz estarem sempre a comer, emite um choque eléctrico que os impele para a frente. "Não lhe disse nada", observou.

Frangos injectados com água ficam maiores e depois de estarem algum tempo no congelador ficam mais pesados. O consumidor paga água por carne. Uma fraude com efeitos nocivos para a saúde.
O mesmo que dizer "não escreva". Obviamente que não escrevi, estavamos no regime da ditadura e da censura. Aqueles frangos eram obrigados a engordar à pressa e à força do choque eléctrico, intoxicados de ração. Passados 43 anos (1972-2015), recebo um mail sobre "frangos engordados com água". Incrível! Continuamos a consumir carne de animais irracionais(!) doentes, de crescimento rápido, sem tempo de vida natural, feitos loucos, a juntar às "vacas loucas" que andam por aí! Uma (ir)racionalidade chocante.
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João Godim
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