Alberto João Jardim, o presidente que sai.
Um novo ciclo abre-se a partir de agora na Região Autónoma da Madeira (RAM), já o referimos, com a entrada de um novo governo que se destaca pela circunstância de ser o primeiro da era " pós - jardinismo". Acima de tudo, pelo desafio e evidência relacionados com a necessária mudança há muita desejada pela elite política e sociedade em geral. Mas, enganem-se os que acham que a partir de agora é que a política, no sentido da "pólis", vai ser mesmo como deve ser, livre de condicionalismos e tentações, e facilmente entendida por todos.
As lições da História são férteis nesta matéria, em particular os governos concretos com estadistas e políticos que ainda hoje podem servir de referência para uma melhor eficácia da coisa pública. Não há comparações possíveis, os tempos são outros, mas os princípios da matriz democrática mantêm-se e merecem ser conhecidos para que não o descrédito sobre os principais autores políticos e suas actividades deixe de aumentar.
Como lembra Hannah Arendt (1906-1975, filósofa política alemã, judia): «Tanto o descrédito da política como a questão do sentido da política são muito antigos (...). Remontam aos gregos e emergem das experiências bem reais (...), exemplares e decisivas» que resultaram na organização da «pólis» ou o governo da «cidade».

Miguel Albuquerque, o presidente que entra.
Deste ponto de vista, e pode-se argumentar de vários modos, considera-se que o essencial na política mantém-se em vigor, apenas se aspira a fazer o melhor e dentro do contexto de cada época. É como ter "um novo homem ao leme", mas na "continuidade" da navegação do mesmo mar, sobretudo quando se encontra na mesma rota ideológica, ainda que com nova afirmação, novo discurso, novas capacidades. Alguém tem dúvidas? Esperemos para ver.
O novo elenco governativo madeirense é jovem e garante para já um ambiente mais respirável, contra o "fechamento" e "vitimização" das últimas décadas. Trinta e sete anos governados por uma mesma pessoa, dotada de um carisma notável, não se apagam facilmente. O "presidente emérito" anda por aí...

João Godim
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