É caminhando que vamos descobrindo novos caminhos. Quantas vezes passamos por lugares e não vimos o que lá existe ou vimos apenas o que queremos ver. Seja porque for, a aparente imagem do pobre é a que inspira piedade, porque nos parece ser um miserável. Jesus era um peregrino pobre, sem posses, mas feliz. A primeira leitura que fizemos ao ver Carlos Rios (na foto), algures por um “caminho espiritual”, foi a de um pobre resignado. Só quando o abordámos e com ele começámos a falar é que tomámos consciência de que à nossa frente estava um homem de fé, peregrino, que por mês percorre cerca de mil quilómetros pelos “caminhos espirituais”, como faz questão de dizer.
Carlos Rios, peregrino, conhece bem os caminhos que vão dar a Lourdes, Fátima, Santiago de Compostela e a outros. Caminha sem lugar certo para comer, dormir ou descansar, mas sempre pelos “caminhos espirituais”, meditando e reflectindo. Em 2004, tomou a decisão de se entregar exclusivamente à peregrinação e, nestes 11 anos, já conheceu muitos caminhantes. Um desses peregrinos é o escritor brasileiro Paulo Coelho, devoto pelos caminhos de Santiago, com quem mantém amizade.
Carlos Matos Rios, nasceu em São Pedro da Afurada (Vila Nova de Gaia), em 25 de Maio de 1952, filho de pescadores. Cedo entrou na faina e ainda jovem já trabalhava na pesca do bacalhau, na Terra Nova. Em 2004, o Pe. João, da paróquia de Aveiro, convido-o para uma peregrinação a Santiago de Compostela, aceitou e, desde então, não mais parou. “Nunca deixei de ter refeições, nunca tive doenças nem nunca estive sem rumo, sei que tenho a protecção de Deus, dormindo ao relento ou sob tempos climatéricos adversos”. A vida de peregrino “é a paz na terra”, observa. Um até sempre!

João Godim
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