Antídoto para o populismo
No contexto da actual globalização, caracterizada por “uma economia cada vez mais distante da ética” e das pessoas concretas, e ainda pela “política espectáculo” que dá lugar ao aparecimento de “populismos” nefastos, há que dar voz às “minorias” e “movimentos populares” que trabalham pela “força do nós”, a favor do “humanismo”, em oposição à “cultura do eu”.
Assim considera o Papa Francisco, numa recente publicação intitulada “A afirmação dos Movimentos Populares: a Rerum Novarum do nosso tempo”, em que assina o próprio prefácio.
Este novo livro resulta de um conjunto de texto compilado pela Pontifícia Comissão para a América Latina, através de um trabalho de acompanhamento feito por milhares de associações sociais e cívicas em todo o mundo nos últimos cinco anos.
Para Francisco, os Movimentos Populares que integram e representam os mais carenciados são como “o fermento de uma profunda transformação social. Uma fonte de energia moral para revitalizar as nossas democracias”, pois, “o antídoto para o populismo e para o chauvinismo político está nos esforços da iniciativa cívica organizada”.
“Os Movimentos Populares representam uma importante alternativa social”, como que “um grito” que ressoa das “entranhas” da sociedade, “um sinal de contradição, e uma esperança de que tudo pode mudar”, sublinha o Papa. “Os Movimentos Populares são a demonstração tangível e concreta de que é possível seguir um rumo contra corrente à cultura actual… através da criação de novas formas de trabalho centradas na solidariedade e na comunidade”, afirma.
Ao resistirem à “tirania do dinheiro”, através da sua labuta e sofrimento, os Movimentos Populares afirmam-se também como importantes “sentinelas” na salvaguarda de um futuro melhor, acrescenta Francisco, que apela a um “novo humanismo” capaz de contrariar a actual falta de compaixão e de cuidado com o bem-comum.

João Godim
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