Primeira bomba atômica
O século XX é considerado o mais mortífero da História da humanidade: duas grandes guerras centradas na Europa, mas com repercussões nefastas em todo o mundo, a realização de um "holocausto" sem precedentes, a existência de regimes ditatoriais e democracias asfixiadas, as primeiras detonações da "bomba atómica" que lançaram, até hoje, a ameaça de uma guerra nuclear no planeta...
Assim aconteceu a 6 de Agosto de 1945, no final da II Guerra Mundial, com o bombardeiro norte-americano "Enola Gay" a lançar a primeira bomba atómica no centro da cidade japonesa de Hiroshima.
Tudo mudou, de mal para pior, dizem uns; era inevitável, opinam outros, mas a realidade é dura e muitas das consequências negativas irão prolongar-se séculos fora, pese, embora, o progresso tecnológico e o desenvolvimento material adquirido.
Para muitos, nada mais haverá do que lamentos e nostalgia, lembranças amargas, saudades de um tempo distante a condizer mais com um certo bucolismo, como nos fazia crer Miguel Torga, no seu Diário de 1941, em forma de poema:
Bucólica
> A vida é feita de nadas;
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;
De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;
De poeira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma Mãe que faz a trança à filha.
> Miguel Torga (1907-1995)

João Godim
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