A Quetzal editores vai publicar, a partir de setembro próximo, uma nova tradução da Bíblia, a cargo de Frederico Lourenço, tradutor reconhecido das línguas clássicas, ensaísta e poeta.
Esta "nova Bíblia" terá 80 livros (em vez de 73), em seis volumes, e será a primeira do género a ser lançada em Portugal e “a mais completa jamais publicada em português”, assegura o editor.
Em setembro sai o primeiro dos seis volumes, dois dedicados ao Novo Testamento, 4 para o Antigo. O último volume está previsto para sair em 2019.
(Frederico Lourenço)
A edição da Quetzal foi apresentada por Francisco José Viegas, esta quarta-feira, na Cinemateca em Lisboa, e tem por base a Bíblia Grega, também conhecida por Bíblia dos Setenta, escrita entre os séculos I e o VII depois de Cristo.
Sobre o trabalho de tradução, o editor garante ainda que é o resultado de “uma enorme coragem do Frederico Lourenço, que transformou um sopro num relâmpago”.
A preocupação com a linguagem, que será visível nas centenas de notas de rodapé que esta edição incluirá, permitiu criar uma edição que, na opinião de Viegas, é também “duplamente literária”.
“É literária porque respeita o grego — não foi feita para se encontrar nela uma revelação. É literal porque é um texto que é belo no grego e que agora é belo no português”.
Os seis volumes da nova tradução serão publicados “mais ou menos” de seis em seis meses, numa ordem diferente do convencional, que pretende ajudar os leitores a compreenderem melhor a Bíblia.
Frederico Lourenço é docente nas faculdades de Letras da Universidade de Lisboa e de Coimbra, publicou vários ensaios sobre a cultura helénica, traduziu os poemas épicos "Odisseia" e "Ilíada", ambos atribuídos a Homero (928 e 898 antes de Cristo).
No ano passado, publicou "O livro aberto: Leituras da Bíblia", em que afirma no prefácio: "Independente, porém, de uma questão de fé, a Bíblia pode ser lida como o mais fascinante livro alguma vez escrito".

João Godim
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