"O amor em Lobito bay", é o título do novo livro de Lídia Jorge e reúne um conjunto de contos, com vários elementos em comum, publicado pela D. Quixote. "Todos os contos reunidos neste livro têm vários elementos em comum: a ação decorre num espaço longínquo, a narrativa desenvolve-se em torno de uma revelação demolidora, a memória funciona como uma catarse que o tempo se encarrega de prolongar, de modo a não poder ser esquecida", diz a editora.
Em todos os contos "existe uma história de amor, no sentido mais amplo do termo, que entrecruza a experiência da confiança na vida, com o desconcerto do mundo". Ainda neste mês de abril, a D. Quixote publica também a "Gramática do Medo", uma história escrita a quatro mãos por Maria Manuel Viana e Patrícia Reis; e a reedição da "Vida de Ramon", de Luísa Costa Gomes, obra publicada pela primeira vez há 25 anos, agora revista pela autora.
Trata-se de um romance biográfico sobre Ramon Llull, intelectual maiorquino do século XIII, que morreu há 700 anos, depois de ter cruzado o Mediterrâneo, a África do Norte e a Ásia Menor, com "a sua indomável autonomia", "espalhando sonhos e ideais de outras épocas, passadas e futuras", segundo a editora. Llul foi pioneiro a escrever na sua língua, o catalão, para ser compreendido pelo homem vulgar.
No seu tempo, foi apontado como "árabe cristão", "doutor inspirado" e "iluminado". Vários dos seus escritos foram retomados por outros intelectuais, como Condorcet, nomeadamente sobre o método eleitoral, e o alemão Gottfried Leibniz (1646-1716), que se baseou o seu cálculo, no sistema de conhecimento de Llull.
Outros livros interessantes: a "Trilogia da mão", de Mário Cláudio, que reúne os romances "Amadeo", "Guilhermina" e "Rosa". Com "Amadeo", inspirado no percurso do pintor Amadeo de Souza-Cardoso, nascido em Amarante, o escritor venceu, em 1984, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores.
O romance "Guilhermina" evoca a violoncelista Guilhermina Suggia, que viveu na primeira metade do século XX, entre Portugal, onde nasceu, e os palcos do mundo; e a artesã Rosa Ramalho, de Barcelos, é a protagonista de "Rosa", a artista que criou "um estranho país de reis e de bichos, de santos e de monstros".

Com a chancela das Publicações D. Quixote, é publicada "Prosa", com "o essencial da prosa de Mário de Sá-Carneiro" (1890-1916), autor destacado do movimento modernista, a par de Fernando Pessoa (1888-1935).
Neste volume reúnem-se "os contos de juventude", publicados na revista Azulejos, o primeiro livro de contos, "Princípio", e as narrativas maiores "A confissão de Lúcio" e "Céu em fogo", excluindo-se apenas alguns textos dispersos. O livro inclui uma cronologia biográfica de Mário de Sá-Carneiro, da autoria do poeta Fernando Pinto do Amaral. A novela "A confissão de Lúcio" foi considerada, pelo poeta José Régio, uma obra-prima.

João Godim
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