Choca-me a morte por via da violência, por actos terroristas ou por meros atentados à pessoa humana. São actos cobardes cuja sentença devia ser aplicada com a mesma severidade. Olho por olho, dente por dente. “Quem mata intencionalmente devia ser morto”, escrevia Mota de Vasconcelos.
O que se passou este fim-de-semana no Sri Lanka (para os portugueses, Ceilão) teve a condenação de todo o mundo, apelo do Papa e de outras entidades religiosas e políticas, mas não basta. Ataques terroristas (kamikazes) a três hotéis e a três igrejas católicas, mataram mais de 300 pessoas e feriram cerca de meio milhar. Violência extrema perpetrada por extremistas islâmicos.
O Sri Lanka é um país insular, situado na Ásia, com cerca de 22 milhões de habitantes, 70 % dos quais budistas e apenas 8 % de católicos. Antiga colónia inglesa que chegou à independência em 1948 (há 70 anos). Os ataques tiveram por alvo igrejas católicas, numa altura em que se festejava a Ressurreição de Jesus Cristo, e hotéis de luxo que tradicionalmente registam ocupação alta de estrangeiros na época da Páscoa.
O terrorismo não tem fim, nem defesa e muitos menos identificação que nos permita ver donde vem e para onde se dirige. Há todo um potencial terrorismo em qualquer parte do mundo, de Nova Iorque a Paris, de Moscovo a Londres, por todo o lado. A pobreza é seguramente uma das causas, pela vulnerabilidade de quem pouco ou nada tem como pouco ou nada tem a perder. Uma Páscoa ensanguentada no Sri Lanka. Para meditar.

João Godim
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