Um património de séculos não se inventa
A sabedoria popular, por mais e maiores que sejam as possibilidades de informação, hoje em dia, continua em alta e menosprezá-la seria prejudicial para todos, cultos ou mais ou menos letrados, porque o essencial não se inventa, é um património de séculos, com bases em tradições, costumes e profunda experiência.
A sabedoria popular é mais prática do que teórica, ainda que se acrescentem "alguns pontos ao conto"; e é capaz de resumir numa frase, num provérbio ou ditado, o que é importante para dada situação que exija uma definição clara. A propósito deste assunto, é útil ler e consultar o livro "Puxar a brasa à nossa sardinha", escrito pela jornalista Andreia Vale, em que a autora recolhe expressões, frases feitas, mas com muita história na linguagem portuguesa.
Num tempo em que a língua dos media, com a cultura do espetáculo, pretende influenciar o discurso quotidiano, nada melhor do que conhecer a origem de algumas expressões que estão sempre "à mão de semear"; saber quem as disse pela primeira vez e porque começaram a ser utilizadas; e como é que as mesmas sobreviveram até aos nossos dias.
São vários capítulos saborosos que cativam o leitor de uma forma simples, mas sábia, e "sem ficar de mãos a abanar". Já agora, "a origem desta expressão pode estar relacionada com os imigrantes que chegavam ao Brasil no século XIX. Vindos da Europa, era costume as populações rurais trazerem ferramentas, por exemplo para o cultivo da terra.
Uma ferramenta representava uma profissão, uma habilidade, e na verdade demonstrava disposição para o trabalho. O contrário, chegar de mãos vazias, de mãos a abanar, era sinal de preguiça e pouca ou nenhuma vontade para trabalhar". Boas leituras.
Música > https://www.youtube.com/watch?v=V1bFr2SWP1I&feature=related

João Godim
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