
Não há nada como os factos da História a lembrar o que rapidamente se esquece, mas dificilmente se evita... Os registos históricos não mentem, sobretudo quando a situação implica revolta ou se traduz num grande acontecimento.
É o que se pode recordar, por exemplo, do ano de 1856, no mês de agosto, data de início da chamada "Revolta das Subsistências em Portugal".
Por causa do mau ano agrícola (no outono de 1855 houve grandes chuvadas e cheias), o povo não esteve para meias medidas, exigindo maior ajuda da parte dos governantes com várias manifestações em Lisboa, tumultos e assaltos a lojas, sendo então autorizadas importações de géneros alimentícios.
Ainda nesse ano de 1856, mas em outubro, dá-se a viagem inaugural de comboio entre Lisboa e o Carregado, de 37 quilómetros.
Este primeiro comboio ostentava o nome de D. Luís e era uma importante promessa de desenvolvimento para o Portugal de Oitocentos, garantindo rápidas ligações de pessoas e mercadorias.
Fontes Pereira de Melo, como Ministro das Obras Públicas, foi o grande comandante da modernização das vias rodoviárias e do arranque do caminho de ferro no nosso País.
A rede ferroviária expandiu-se depressa nos anos seguintes e, em 1861, o comboio chega à fronteira com Espanha, em Badajoz, e no ano seguinte faz-se a ligação entre Lisboa e o Porto.
No entanto, só mais de meio século depois, em 1916, a ligação ferroviária nacional ficaria praticamente concluída e a consciência popular despontou para as verdadeiras realidades, através dos frequentes contatos e troca de experiências.
Como diz o ditado, "venham mais que nós podemos com o fardo".
Hoje, a mobilidade diversificou-se extraordinariamente e com abundantes meios de transporte à escolha de cada um.
Já agora, como leitura de férias, sugerimos as "Viagens na Minha Terra", de Almeida Garrett, uma delícia!

João Godim
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