A igreja de N. Sr.ª de Fátima, em Lisboa, bem pode ser considerada a “Igreja dos Vitrais” tal a soberba vidraça colorida que abrange grande parte do seu espaço interno. Uma luminosidade fascinante valorizada pela criativa pintural de Almada Negreiros, um dos principais vultos da cultura portuguesa do século XX.
Esta igreja dedicada a N. Sr.ª de Fátima, em Lisboa, inaugurada em outubro de 1938, foi a primeira a ser construída fora de Ourém, onde esta sediado o Santuário de Fátima, desde 1919. Este templo surge por iniciativa do cardeal Manuel Cerejeira que, desde início, propôs uma construção fora dos estilos românico, gótico ou barroco, fazendo apelo à criatividade dos autores do projeto. Uma “Domus Dei et Porta Coeli”, de expressão modernista.

Um templo “revolucionário” para a época, que gerou alguma controvérsia, maior a ousadia quando Almada Negreiros e outros autores que estiveram envolvidos no projeto serem agnósticos e terem alguma antipatia para com o então regime do Estado Novo, liderado por Salazar. Dizem as crónicas da época que foi uma vitória do cardeal, da igreja, sobre a política.


João Godim
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