FILHO DE UM PADRE E CANDIDATO AO PRÉMIO NOBEL
A 13 de setembro de 1885, no contexto das biografias literárias, destaca-se o nascimento do escritor português Aquilino Ribeiro, autor de "Terras do Demo", "Andam Faunos pelos Bosques", "Quando os Lobos Uivam" e "A Casa Grande de Romarigães", entre muitos outros.
Escritor esquecido da maioria hodierna, Aquilino Ribeiro é um verdadeiro "mestre" da literatura portuguesa que, em 1960, foi proposto para o Prémio Nobel de Literatura com o apoio de várias personalidades, como Francisco Vieira de Almeida, Mário Soares, Alves Redol, Luísa Dacosta, Vitorino Nemésio e David Mourão-Ferreira.
"Obreiro das letras", como gostava de se apresentar, trabalhou incansavelmente até às vésperas da sua morte, ocorrida em maio de 1963. Natural do concelho de Sernancelhe, freguesia de Carregal de Tabosa, era filho de um padre e chegou a estudar no Seminário para o sacerdócio, mas cedo foi expulso pela sua personalidade inquieta, inconformista e revolucionária.
"Verdadeiro homem de ação", aderiu ao movimento republicano e tomou parte nas iniciativas destinadas a derrubar a Monarquia, através da escrita e de atividades que o levaram à prisão e ao exílio em França, onde estudou Filosofia e Sociologia na Sorbonne e teve a oportunidade de receber a lição de "mestres" da política e da história das mentalidades.
Em Paris, conviveu também com outros políticos portugueses exilados, como Bernardino Machado (1851-1944), o presidente da República deposto pelo golpe militar de 1926, e de quem se tornou genro pelo casamento com a filha daquele, Jerónima Dantas Machado, sendo pai do engenheiro Aquilino Ribeiro Machado (1930-2012) que chegou a ser o primeiro presidente democraticamente eleito da Câmara Municipal de Lisboa, cargo que exerceu exerceu entre 1977 e 1980.
Aquilino Ribeiro publicou em vida quase 70 livros e trabalhou em diversas áreas, desde a ficção, jornalismo, crónica, memórias, ensaio, passando pelos estudos de etnologia e história, biografias, crítica literária, teatro, até à literatura infantil e a famosas traduções do latim, grego, espanhol francês e italiano... Está na hora de voltar a (re)ler as suas obras, em homenagem à sua memória.
Música (Cavaquinho) > https://www.youtube.com/watch?v=NlMT-oEIQuo

João Godim
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