A transição da ditadura para a democracia, no Portugal de 1974, teve como protagonista principal o "Movimento dos capitães", mas logo com destaque para o general António de Spínola (mais tarde marechal, entre outras honras honoríficas). Militar de carreira, o general do monóculo assumiu desde sempre funções de notoriedade na guerra ultramarina, em particular na Guiné-Bissau, com aproximações aos "rebeldes e terroristas" que pretendiam uma solução urgente para a guerra e no quadro da "primavera marcelista" na então Metrópole.
A este propósito escreveu vários livros, sendo o mais lido "Portugal e o Futuro", publicado nos finais de 1973, com a conivência do governo de então e o apoio dos principais empresários e grupos económicos que viam nesta obra o prenúncio para uma mudança de regime. Com o "25 de Abril", a autoridade do general tornou-se muito mais popular, tendo sido o principal rosto da "Junta de Salvação Nacional". Apesar de tudo, a vida política nesse tempo causou-lhe grandes dissabores, a ponto de (em 1975) querer "invadir" Portugal a partir do Brasil, para acabar com a "ditadura comunista"...
O general António de Spínola, recorde-se, nasceu a 11 de Abril de 1910, tendo vivido até 1996.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS