Assinala-se, neste dia 25 de abril, mais um "dia da liberdade"...
Um acontecimento que começou a ser festejado em 1974 e que continua como uma data referência, embora com muitas interpretações e pareceres, seja da parte de quem testemunhou e participou nos "tempos da revolução" ou indiretamente conheceu as suas virtudes e desenvolvimentos, êxitos e desaires.
Numa breve memória, sabemos que o sinal para o eclodir do "movimento das Forças Armadas" foi dada, à meia-noite, através de uma música proibida pela censura, Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso. O governo da ditadura rendeu-se às evidências, com Marcelo Caetano a ser exilado para o Brasil.
O povo saiu à rua e distribuiu cravos. Acabou a guerra colonial, extinguiu-se a polícia política (Pide), reconheceu-se o direito de opinião e de reunião, e constituíram-se os partidos políticos e sindicatos, com toda a liberdade de opção ideológica.
A voz dos poetas resumiu como ninguém esse "dia grandioso", como podemos recordar no belíssimo poema de Sophia de Mello Breyner Andresen >25 de Abril<: "Esta é a madrugada que eu esperava / O dia inicial inteiro e limpo / Onde emergimos da noite e do silêncio / E livres habitamos a substância do tempo".
Também os versos de Manuel Alegre são eloquentes na justificação dessa data: "Foram dias, foram anos a esperar por um só dia. / Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía / com seus riscos e seus danos. Foi a noite e foi o dia / na esperança de um só dia".
Por sua vez, o cantor e autor Sérgio Godinho interpretou a urgência de se realizar um país necessitado de grandes mudanças:
"Viemos com o peso do passado e da semente / esperar tantos anos torna tudo mais urgente / e a sede de uma espera só se ataca na torrente /
Vivemos tantos anos a falar pela calada / só se pode querer tudo quanto não se teve nada / só se quer a vida cheia quem teve vida parada /
Só há liberdade a sério quando houver a paz / o pão / habitação / saúde / educação / só há liberdade a sério quando houver / liberdade de mudar e decidir / quando pertencer ao povo o que o povo produzir".

João Godim
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