Se "recordar é viver", como dizem uns conhecidos versos na voz de Vítor Espadinha, faz sempre bem trazer à memória do presente alguns acontecimentos que marcaram o nosso país, por exemplo, no campo cultural, como receita para aumentar a auto-estima colectiva.

Recordamos, por isso, o que se passou de relevante, em 1998, para Portugal, com projecção a nível mundial: em Maio, tivémos a abertura da "Expo’98", a Exposição Mundial de Lisboa, que foi dedicada aos Oceanos e integrada nas comemorações dos 500 anos da chegada de Vasco da Gama à Índia; o encerramento deu-se em Setembro do mesmo ano, com diversos atractivos, entre os quais um grandioso espectáculo com fogo de artifício.
Ainda no campo cultural, também há 20 anos, o escritor José Saramago (1922-2010) foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, o primeiro atribuido a um autor de língua portuguesa.

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste".
(José Saramago)

João Godim
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