Projetos políticos monopolizadores
As questões colocadas à volta do "racismo" e do preconceito "étnico" na Europa são alvo de um estudo "monumental", exaustivo e competente interpretação histórica, da autoria do professor português Francisco Bethencourt. A sua investigação neste campo está agora ao alcance dos interessados através do livro "Racismos - das Cruzadas ao século XX", publicado pela Temas e Debates-Círculo Leitores.

O autor demonstra que "não existe uma tradição contínua de racismo no Ocidente e revela que o racismo precedeu quaisquer teorias de raça e que deve ser visto sob o prisma e no contexto das hierarquias sociais e das condições locais. Defende que, nas suas diferentes facetas, todo o racismo foi desencadeado por projetos políticos que monopolizavam recursos económicos e sociais específicos."
Ou seja, de acordo com certos interesses e conveniências, aliás, como sempre aconteceu na caminhada da humanidade e ainda hoje. Por exemplo, revela o autor que a meados do século XIX: "Vários países deram voz à oposição à integração das comunidades judaicas, algo fomentado pela presença cada vez mais bem-sucedida de judeus na educação, nos negócios e na política."

Francisco Bethencourt é titular da cátedra Charles Boxer de História no King's College de Londres. É autor de História das Inquisições – Portugal, Espanha e Itália e coordenador de História da Expansão Portuguesa (com Kirti Chaudhuri, 5 volumes). Foi diretor do Centro Cultural Gulbenkian em Paris (1999-2004) e da Biblioteca Nacional de Portugal (1996-1998).

João Godim
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