Portugal está em jogo à grande e à milionária. Os gurus do jogo sabem como ganhar milhões fora do alcance da justiça, nem precisam de entrar em campo nem dar a cara. Mesmo quando são acusados de corrupção contratam “supers defesas” habituados a lidar com a lei como quem joga com uma bola de trapos. Os advogados também entram na jogada, tocam para todos os lados e, seja qual for o desfecho, sabem que os milhões estão garantidos.

Quem falou em corrupção? Vinte mil milhões de euros mal parados? Num pequeno país como Portugal não é possível encontrar o paradeiro do mal parado? Então não sabem quem deu nem quem recebeu e onde foi parar os milhões que saíram da CGD? Estão a gozar connosco? O governador do banco público esconde a lista dos devedores, refugia-se na lei (qual lei?) para não fornecer os nomes dos beneficiados com milhões que davam para construir dezenas de novos hospitais, novas escolas, melhores indústrias, melhores reformas, melhores salários e melhores habitações, em suma, um melhor Portugal.
Realmente não é preciso mais nada para se saber o porquê dos eleitores portugueses não votarem. Sem justiça não há democracia e neste nosso país é muito mais difícil acreditar do que não acreditar. Custa a acreditar que sejam fornecidas, por dia, cerca de 400 mil refeições aos pobres, em todo o país, ao mesmo tempo que há milhões de euros gastos à balda. Enfim, com tanta corrupção que podemos esperar da democracia? Certamente que não são estes os valores da liberdade e da igualdade.

João Godim
FREELANCER
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