Quem somos, donde vimos, para onde vamos?
A realidade humana perante o universo ainda desconhecido é tão apelativa e ao mesmo tempo inquietante, de tal modo somos sempre desafiados a ser e a fazer mais. Quase não há barreiras e fronteiras para a dimensão que se pretende em cada época, por mais progresso ou desenvolvimento registado. Daí que a afirmação "quando o mundo era pequeno", não esteja apenas relacionada com o passado, antes, é do "aqui" e "agora", sem preconceitos ou receios de cair em paradoxos. Também "o que se disse ontem" talvez já não seja válido para o "hoje" da nossa existência, salvo a excepção quanto a princípios nucleares ou questões fundamentais, como perguntaram os sábios da Antiguidade - "quem somos, donde vimos, para onde vamos"?
Isto vem a propósito do lugar pouco considerado dos seniores ou senadores na sociedade actual... Quando se fala dos mais velhos ou idosos, pontifica o discurso do "politicamente correcto", com as reformas, as pensões, o lazer, a serem os temas que devem preferir e nada de discussões ou pareceres, porque o seu estatuto não lhes pemite... Será mesmo assim?
Se nos fixarmos no nosso "pequeno mundo", por certo ficaremos com "vistas curtas", a "memória" desfocada e os humores mais dados à "melancolia" e à "solidão"; e nada disto poderá acontecer enquanto se vive e garantimos a herança para os vindouros, porque o "mundo continua a ser pequeno" e precisa do contributo de todos. Um exemplo grandioso desta atitude e convicção é-nos dado pelo sénior Jean Guitton (1901-1999) que, até ao final da vida (morreu aos 98 anos), jamais abdicou do seu estatuto de pessoa mais velha face a outras idades e circunstâncias tão diferentes que viveu durante quase um século. O seu pensamento e obra ainda hoje são necessários para a compreensão da existência global, a nível pessoal e do universo em geral...

Até ao fim dos seus dias, Jean Guitton manteve uma intensa actividade intelectual; foi o discípulo dilecto do grande filósofo Henri Bergson; ensinou História e Filosofia; foi membro da Academia Francesa, entre muitas outras tarefas. A ousadia das suas posições, a riquíssima experiência humana de que foi testemunha, colocaram-no no número restrito dos Mestres que marcaram o século passado. Sigamos o seu exemplo.
Video (2') > https://www.youtube.com/watch?v=NRroK0oqzl0

João Godim
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