O prodígio de Almada Negreiros (1893-1970) está bem patente nesta pintura. Uma incomparável criatividade artistica. Atente-se ao vitral, seu traço, cor, brilho, mensagem ou mensagens por descodificar! Almada não dava ponto sem nó, não escrevia nem pintava sem provocação, deixava ao olhar dos outros a liberdade de interpretar.
Ironia por instinto... as gerações de hoje pouco conhecem a obra deste notável vulto da cultura portuguesa. Uma incultura que começa no ensino (do abc à universidade) e que se mantém intocável por quem tem a tutela do poder. O culto da ignorância é protegido por quem não consegue alcançar o estrado da sabedoria.
Uma cultura prisioneira, atada com todas as pontas, dos pés à cabeça, como parece nos querer dizer a figura que Almada Negreiros nos deixou para a posteridade.

João Godim
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