Os principais governantes depostos no 25 de Abril de 1974 foram enviados, no dia seguinte (faz hoje 42 anos), para o palácio de São Lourenço, no Funchal. Durante cerca de três semanas, uma edificação do século XVI, classificada monumento nacional desde 1943, foi prisão para Américo Thomaz (presidente da República), Marcelo Caetano (chefe do governo), Moreira Baptista e Silva Cunha (ministros).
Marcelo Caetano e ministros presos(...) no Palácio, no centro do Funchal
No dia 23 de Maio, os ex-governantes deixaram a Madeira com destino ao Porto Santo, donde partiram rumo ao Brasil (Thomaz e Caetano) e à prisão da Trafaria (os dois ministros). Na altura houve contestação pelo facto dos depostos governantes serem prisioneiros no palácio e não nas prisões da ilha ou noutros estabelecimentos com guarda policial.
Para os mais politizados e contestatários a ida dos ex-governantes para a ilha provava aquilo que o governo da ditadura sempre considerou: a Madeira como uma “ilha prisão”. Américo Tomás regressou do Brasil, em 1978, vindo a falecer em 1987. Já Marcelo Caetano, falecido em 1980, nunca quis regressar a Portugal.

A prisão dos ex-ditadores no Palácio de São Lourenço, sem celas penitenciárias, nunca foi aceite pelos madeirenses e nunca os líderes da revolução de Abril e posteriores governantes da República deram plausível explicação. Uma decisão considerada ditatorial no alvorecer da democracia.

João Godim
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