É comum dizer-se que não há lugar no mundo em que não se encontrem vestígios da presença portuguesa. São séculos de História que atestam a chegada pioneira de heróis portugueses, militares, missionários e comerciantes, aos locais mais distantes da terra então conhecida, particularmente durante a época dos Descobrimentos.
Conhecem-se também relatos de aventureiros, como Fernão Mendes Pinto, no seu livro "A Peregrinação". Os factos neste contexto são em número superior às dúvidas e, hoje em dia, é possível comprovar e confirmar os feitos dos portugueses em todo o mundo, porque estão bem documentados através de várias obras de historiadores e de aturadas investigações académicas.
Por exemplo, actualmente, ninguém contesta a chegada dos portugueses à Austrália, muito antes do capitão James Cook e de outros europeus. Tudo isto está bem explicado no livro do historiador Paulo Jorge de Sousa Pinto - "Os Portugueses Descobriram a Austrália?" e outras "100 perguntas", uma espécie de "guião" sobre os Descobrimentos dos séculos XV e XVI, e que nos "permite compreender melhor a forma como um povo pequeno conseguiu, entre o desejo de conhecer e a vontade de descobrir, abrir-se ao mundo, espalhar-se pelos cinco continentes e alterar, de forma irreversível, o curso da História de culturas, impérios e civilizações”.
Também o investigador australiano Peter Trickett defende que os portugueses descobriram a Austrália 250 anos antes do navegador inglês James Cook (1728-1779). Segundo este historiador, terá sido o navegador Cristóvão Mendonça, por volta de 1522, o primeiro português a avistar as costas australianas, quando navegava na zona por ordem de D. Manuel I.
Cristóvão Mendonça procurava a "ilha de Ouro" citada nos relatos do mercador veneziano Marco Polo (1254-1324). Por seu lado, o historiador João Oliveira e Costa confirma igualmente esta convicção: "Não há dúvidas que foram os portugueses a chegar lá primeiro, ainda no reinado de D. Manuel I (1469-1521".
Outra curiosidade que não oferece hesitações é o facto histórico da "espingarda" ter sido introduzida no Japão pelos portugueses durante o século XVI. A "espingarda" não foi objecto de comercialização ou negócio a favor de Portugal, mas os japoneses aproveitaram-se bem do instrumento como "forma de combate" que pôs fim a anos de guerra civil entre os senhores feudais da altura.
No Japão a "espingarda" é conhecida como “Tanegashima”, nome da ilha onde ela foi depositada pela primeira vez, quando um navio com portugueses ali deu à costa, por causa de uma forte tempestade, em 1543.
Interessante, já agora, é a obra "Conquistadores - Como Portugal Criou o Primeiro império Global", livro do historiador e escritor Roger Crowley, autor de outro título notável - “Impérios do Mar”.

João Godim
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