Portugal está à venda, noticiam alguns media estrangeiros. “Quem tem dinheiro chega a Lisboa e compra o que lhe apetece”. Em poucos anos, o país “pai dos descobrimentos marítimos” que no dizer do épico poeta Luís de Camões “deu novos mundos ao mundo”, está a ser vendido aos bocados, perdendo património de forma irredutível. Não há notícia que outro país europeu tenha perdido, em tão poucos anos, tantos bens como Portugal, apenas comparável com alguns países da América Latina, África e da Ásia. Os mais velhos recordam os cofres cheios de barras de ouro no tempo da ditadura, sob a liderança de Salazar, património que em poucos anos, após 25 de Abril de 1974, foi desbaratado.

E não se pense que são apenas as principais empresas, bancos e seguradoras portuguesas que estão no “mercado de venda”, o próprio comércio a retalho tem sido comprado, a preço da china, pelos chineses. O cardápio é vasto e transversal a todos os sectores. A venda da TAP (transportadora aérea portuguesa), fundada em 14 de Março de 1945, cotada entre as dez melhores do mundo no sector, foi o último fôlego: Vendida por 354 milhões de euros, mas apenas 10 milhões de euros entram no imediato para os cofres do estado. Uma venda ao preço da chuva. Para termos uma ideia, para além de outros patrimónios, a TAP tem, nesta altura, 43 aviões arbus (A318, A320 e A321), o preço de um (apenas um) avião A320, custa 88,3 milhões de euros. A venda da TAP roça ao zero da conchichina que os vietnamitas chamam hoje de “perdas irrecuperáveis” com os governantes feitos maçaricos às mãos dos americanos, nos anos 60 do século XX. Muitos foram presos (lá...)!

João Godim
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