Alguém diz a mesma coisa por outras palavras passa a ser figura central, sem papas na língua. Foi o que fez o jornalista João Miguel Tavares no seu discurso no Dia de Portugal, convidado por Marcelo Rebelo de Sousa. Ou seja, parece que se descobriu o que há muito divide Portugal em vários países, não só pela riqueza como pelas desigualdades no acesso à escadaria da vida.
Ninguém sobe na vida sem oportunidades, ninguém é bom ou mau sem antes entrar na competição em plano de igualdade, ninguém é mais ou menos inteligente sem que primeiro tenha apreendido e participado com os mesmos meios. Não é preciso chegar ao 10 de junho (Dia de Portugal) para se saber que há muita aparência a esconder a realidade, como facilmente se reconhece que as causas estão nas incompetências dos governantes... por nós eleitos! 
Portugal é um país dividido em vários países, há como que um lado bom e um lado mau. O filho do pescador bom pescador será, o filho de um cientista, cientista será, o filho de Cristiano Ronaldo melhor futebolista do mundo será, o filho do agricultor bom agricultor será. Foram e são com estas sem meias medidas que se foi criando o Portugal que somos. Justiça, saúde, educação, habitação, emprego, política, são dos piores exemplos que podemos ver no país.
O presidente da Republica foi a Cabo Verde em romaria com governantes e outros personagens para fazer discursos de circunstância sobre os portugueses naquele país. Recordar o mercado da escravatura cabo-verdiano, extinto à séculos, e esquecer o Tarrafal de há relativamente poucos anos, onde morreram ao calor tórrido presos políticos portugueses, revela que a viagem teve um programa mais turístico que histórico-institucional.
Deixemo-nos de adjectivos e sejamos mais objectivos. E só assim vamos ver que Portugal, à beira dos 900 anos, continua a ter uma incompreensível desigualdade social, com mais de dois milhões a viver nos limites da pobreza, com salários de miséria, sem alternativas que não sejam a emigração ou trabalhos precários e mal pagos. Há muita pobreza escondida em Portugal e muita riqueza milionária sem justificação.
NB: A ida de Marcelo Rebelo de Sousa à Costa do Marfim (...), depois de ter estado em Cabo Verde e a sugestão de João Miguel Tavares sobre o ensino do crioulo nas escolas portuguesas é de bradar aos céus.!

João Godim
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