O golpe de Estado de 28 de Maio de 1926, levado a cabo por militares, está na génese da implementação do sistema que viria a sustentar uma governação fascista em Portugal. Infelizmente os primeiros tempos da República, implementada a 5 de Outubro de 1910, fazendo cair a secular monarquia, enfrentaram contratempos não esperados.
O 28 de Maio de 1926 apeou uns e fez subir outros ao poder, como se, por si só, a mudança de pessoas fosse a solução para a estabilidade no país. Os militares triunfaram no derrube do governo mas cedo revelaram insuficiências para estarem à frente da governação. Um tanto à imagem do 25 de Abril de 1974.
A solução foi tentar encontrar na sociedade civil quem fosse capaz de “endireitar o descalabro” administrativo e das finanças. Foi, nesta altura, que surge o nome de António Oliveira Salazar, professor na Universidade de Coimbra. O general Vicente de Freitas, natural da Madeira, ex-ministro e ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, foi indigitado para convidar Salazar a vir para o governo. O professor não aceitou ao primeiro convite, quis primeiro tomar o pulso da situação antes de decidir.
A instabilidade no país crescia e o descontentamento aumentava. Salazar veio, viu e não gostou, pouco tempo depois regressou a Coimbra. Põe condições para assumir a pasta das finanças, impõe directrizes e define objectivos que foram aceites pelos militares responsáveis pelo golpe de estado. A ditadura começa com Salazar na presidência do conselho de ministros, uma longa governação em regime ditatorial que vigorou até 24 de Abril de 1974.

João Godim
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