Vejo um título de jornal que diz: "Portugal é um país de pobres saloios". Sei lá! Mas vamos pelo discurso directo: O Estado está efectivamente endividado, os partidos políticos endividados estão, os clubes de futebol na falência, a TAP a acumular prejuízos, os empresários num mar de lamentações, os trabalhadores e os pensionistas os mais mal pagos da Europa da zona euro. Se olharmos pelo retrovisor e situarmo-nos no presente com futuro incerto ficamos sem saber ao certo o que fazer ou em quem acreditar.
Estado com saldo positivo somente na governação do Estado Novo, Salazar tinha os cofres cheios de barras de ouro e o país na miséria. Nada comparável com as contas do estado democrático onde o investimento global do país é muito superior mas outrossim muitos são os milhões gastos em coisas menores e até prejudiciais. O ponto comum que se traduz por nação (pessoas) continua a apresentar assimetrias humanamente inaceitáveis.
O Estado tem vindo, por vezes, a investir milhões em áreas discutíveis, nem sempre prioritárias. A protecção dada aos bancos é descomunal. A TAP deficitária a dar prémios milionários a alguns funcionários é dura provocação, mais ainda quando o Estado tem 50 % de participação no capital da empresa. Há empresas com lucros de milhões a negar um vencimento justo aos seus colaboradores. O valor médio das pensões é dos limites da pobreza.
Mas há muitas mais observações. Quase todos os clubes portugueses com futebol profissional estão na falência, só o Benfica, Porto e Sporting acumulam défices da ordem dos 450 milhões de euros. Nem a venda do miúdo João Félix por 120 milhões de euros (???) dá ao Benfica um conforto duradouro. Que o jovem jogador tenha sucesso, são os nossos votos.
É por esta selva de grandeza que o país está a caminhar, confirmativamente ilusória, sem se ver sinais de retorno à vista. Vamos andando, um dia de cada vez! Digam que os portugueses são saloios, parolos, cegos, surdos, mudos, o que quiserem. Parvos é que os portugueses não são, por muita amnésia que haja nos miolos dos políticos, banqueiros e quejandos. Alto lá!

João Godim
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