"São 10,2 milhões, mais velhos que novos, num país em que nos últimos 50 anos, a taxa de mortalidade infantil se tornou numa das mais baixas da Europa", revela um estudo agora divulgado pela "Pordata", uma entidade gerida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Destes "10.283.822 de portugueses, 18,3% (1,4 pontos acima da média da União Europeia) vivem com um risco de pobreza.
Apenas 13,9% da população têm menos de 15 anos (a média da UE é 15,6%), enquanto 21,3% têm mais de 65 anos". Salienta-se ainda neste estudo que "Portugal é o terceiro país da União em rácio de idosos para jovens: 153 idosos para cada 100 jovens, só superado por Itália e Alemanha."
Conclusão, Portugal está cada vez mais envelhecido. Mas, os alertas e as estatísticas "alarmantes" não são de hoje. Há muito que se investiga sobre esta matéria, também por causa das estimativas relativas à sustentabilidade da segurança social, e o que se impõe é que haja mais políticas sociais e menos "défices" económicos, e outros semelhantes.
Talvez nunca se tenha falado tanto de velhice como na actualidade, mas não bastam as palavras ou considerações tímidas que nada resolvem. Como se costuma dizer, ainda vamos a tempo de cortar a meta, mas é preciso desejá-la, caminhar para ela, correr se for necessário, e jamais adiar o tempo de que todos somos protagonistas, novos e mais idosos.
Enfim, já foi tudo dito sobre o problema, apenas continua a faltar uma solução concreta e corajosa, decisões governativas. De resto, são "mudanças" necessárias e previsíveis, como bem diagnosticou a escritora britânica Virgínia Woolf (1882-1942): "Estas são as mudanças da alma. Eu não acredito em envelhecimento. Eu acredito em alterar para sempre o aspecto de alguém para a luz. Eis meu optimismo."

Não só Portugal como toda a Europa está a ficar humanamente envelhecida. As causas são mais que muitas!

João Godim
FREELANCER
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