Foi a 6 de agosto de 1966 que se inaugurou a "Ponte Salazar", hoje "Ponte 25 de abril", ligando as margens do rio Tejo entre Lisboa e Almada. Na época, era a quinta maior ponte suspensa no mundo e a maior fora dos EUA, com um comprimento total de 2280 metros.
Levou 4 anos a ser construída, com o consórcio de "11 empresas portuguesas num total de 14, tendo sido empregues 72 600 toneladas de aço e 263 mil metros cúbicos de betão".

Há muito que esta ligação era desejada. Os projetos de construção remontam aos finais do século XIX e o assunto foi debatido no parlamento com maior intensidade entre 1933 e 1953.
A decisão oficial e definitiva foi tomada em 1958. No ano seguinte, foi aberto o concurso internacional e em 1960 a empresa United States Steel Export Company foi escolhida para realizar a obra para a realização do projecto.
No fim do ano de 1962, iniciaram-se as obras de construção, e após cerca de 4 anos foi inaugurada, tendo um custo global de 2 milhões e 200 mil contos (cerca de 11 milhões de euros), sem derrapagem financeira e inaugurada 6 meses antes do prazo previsto.
Tornou-se num empreendimento de referência do regime político do Estado Novo, chefiado pelo prof. Oliveira Salazar, mas não ostentou o título por muitos anos. No alvorecer da democracia, em 1974, o governo entendeu mudar o nome para "Ponte 25 de Abril".
Mudar o nome não apaga a história e são muitos os portugueses e estrangeiros que continuam a identificar a emblemática obra como "Ponte Salazar". Para o bem como para o mal, mudar de nome não muda o que foi feito e por quem foi feito. Como escreveu Camões, "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", mas não se mudam os acontecimentos.
No ano transacto (2015) atravessaram a ponte mais de 50 milhões de viaturas.

João Godim
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