As eleições na Guiné-Bissau (antiga colónia portuguesa) sempre têm decorrido sob um mar de suspeição. Desde o primeiro acto eleitoral, anunciado como de livre e democrático, que os candidatos e os eleitores andam às avessas. A prova está nos nove golpes de estado que o país sofreu desde 1974, a par de outras contrariedades políticas, factos que só têm empobrecido o país.
Hoje, domingo, 24 de novembro/2019, o acto foi para a eleição do presidente da República ao qual concorreram 12 candidatos para um universo de 760 mil eleitores. Antes, durante e depois de conhecidos os resultados já todos estão em discordância, até mesmo o vencedor! A começar por não haver um censo global sobre o número de habitantes e de eleitores, depois porque a iliteracia e a alienação põem seriamente em causa a veracidade do acto eleitoral.

A Guiné-Bissau é um país pobre, económico e financeiramente débil, a corrupção está institucionalizada e o comércio da droga e outros minam toda e qualquer plano político democrático. Nem a ONU nem os analistas internacionais têm confiança na governação do país, mas pedem que as eleições sejam livres e justas, quando sabem que é praticamente impossível.

João Godim
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