Entra, hoje, na Assembleia da República, para discussão e votação, uma moção de censura ao governo para dizer nada, ou seja, para cair em saco roto. O CDS leva ao Parlamento uma moção de desconfiança ao governo quando sabe que é chumbada pela maioria dos deputados. Uma censura censurável.
A isto dizemos que é “brincar à política”. E como se não bastasse a enfadonha iniciativa do CDS, vem o PSD votar a favor mesmo sabendo que “não tem efeito prático nenhum”, como reconhece Rui Rio, líder do PSD. Mas então é assim... vota-se para a auto derrota, para nada? Que trabalho (bem pago) é este? Onde está a produtividade e o custo de tudo isto? É esta a mentalidade dos deputados social- democratas e dos centristas. Por favor, haja decoro!
Cenas censuráveis do quotidiano parlamentar.
Uma moção de censura é para levar a sério. Bem dizem os cidadãos de Cuba e da Coreia do Norte (sistemas ditatoriais censuráveis) quando dizem que a democracia está cheia de fantasmas, fantasias e de medos, é um ninho de contradições. “Vocês no ocidente têm a liberdade de escolher os seus governantes. Acham bem. Mas o que é estranho é vocês, pouco tempo depois, atirarem-se contra quem vocês escolherem para vos governar”, observa jovem coreano.
A ditadura é ditadura, sentido único. A democracia tem todas as portas abertas. Na democracia a oposição ao governo começa logo nas horas seguintes às eleições, trabalha-se para deitar abaixo o governo, armadilhar caminhos, sem olhar a meios. Tem sido assim em Portugal e noutros países. "Uma democracia atrapalhada". no dizer de Churchill.

João Godim
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