Faz, amanhã, 15 de setembro, 250 anos sobre o nascimento de Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805), considerado por muitos estudiosos o maior poeta português do século XVIII e um digno sucessor de Camões. Ele próprio se comparou ao autor dos Lusíadas na popularidade, no génio e nos dramas da vida: «Camões, grande Camões, quão semelhante / Acho teu fado ao meu, quando os cotejo! / Igual causa nos fez, perdendo o Tejo, / Arrostar co'o sacrílego gigante» (...).

Natural de Setúbal, era filho de José Luís Soares de Barbosa, juiz de fora e depois advogado, e de D. Mariana Joaquina Xavier Lestof du Bocage, de ascendência francesa. Desde a infância passou por situações difíceis, desde a prisão do pai à morte prematura da mãe, até à sua própria perseguição e detenção por ordem da polícia de Pina Manique, no reinado de D. Maria I, por ser aventureiro, boémio, sedento de liberdade e poeta demasiado crítico, de elevados méritos satíricos.
Como Camões, também andou por terras do Oriente; em Lisboa aderiu ao movimento literário Nova Arcádia, com o pseudónimo de "Elmano Sadino", mas o seu estro era demasiado inconformista, inconveniente, uma espécie de herói ambíguo, sempre à procura do contraditório, que o impediu de assentar em definitivo em causas serenas, sendo a sua própria figura alvo de anedotas populares. O burlesco, o erótico e a sátira caracterizam as "rimas" deste poeta "pré-romântico" que marcou a literatura portuguesa e que ainda hoje é citado com oportunidade.

Uma curiosidade: José Vicente Barbosa du Bocage, cientista e político português, nascido no Funchal em 1823 e falecido em Lisboa em 1907, era primo em segundo grau do poeta Manuel Bocage. Investigou sobretudo na área da zoologia, tendo publicado extensa obra sobre mamíferos, aves e peixes. Foi ainda Ministro da Marinha e Ministro dos Negócios Estrangeiros.

João Godim
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