O novo ano escolar arrancou por estes dias em todo o país, com as "novidades" e peripécias de sempre: menos alunos, professores sem colocação, manuais e sebentas em mudança constante... Em relação a outros tempos, pouca coisa se pode comparar. Nada como dantes, a vários níveis, a não ser a razão dos grandes pedagogos que importa lembrar. Neste caso, por exemplo, recordamos a personalidade de Jaime Moniz, nascido no Funchal em 1837, o celebrado autor da "Reforma Educativa do ensino liceal de 1894-1895", em Portugal.

Liceu Jaime Moniz, no Funchal
Jaime Moniz foi também político, professor e distinguiu-se ainda como orador parlamentar e como diretor do Curso Superior de Letras. Presidente do Conselho Superior de Instrução Pública desde a sua fundação, em 1884, até 1911. Várias vezes deputado, desempenhou também as funções de diretor geral da Câmara dos Deputados. Exerceu funções de ministro da Marinha e Ultramar (de 1871 a 1872). Membro da Academia Real das Ciências de Lisboa. Morreu em Lisboa em 1917.
Sobre a língua portuguesa, escreveu Jaime Moniz:
«Entre todas as disciplinas (do quadro dos estudos secundários) a língua materna foi a que primeiro entrou ao uso do aluno; a que ele começou a adquirir nos primeiros tempos da infância; a que lhe prestou grande serviço antes da escola e o continuará a prestar depois dela».

Instituto António Aurélio da Costa Ferreira, em Lisboa
Outro pedagogo de especial competência que interessa destacar nesta hora é António Aurélio da Costa Ferreira. Nasceu no Funchal em 1879. Em Coimbra, licenciou-se em Filosofia e formou-se em Medicina, tendo concluído este curso em 1905. Mas, foi como educador que se notabilizou, tendo desempenhado, a partir de 1911, o cargo de diretor da Casa Pia de Lisboa, pondo em prática os chamados princípios da “Escola Nova”. Assim, concedeu às crianças e adolescentes a liberdade para que eles pudessem escolher, de acordo com as suas capacidades, as artes e os ofícios. Promoveu, igualmente, as aulas de trabalhos manuais, música e desporto.
Pioneiro em muitas áreas da educação em Portugal, foi um dos introdutores do estudo e ensino das crianças com deficiência e do ensino científico dos surdos-mudos. Entendia, ainda, que o professor deveria visar o desenvolvimento de todas as capacidades do educando, sendo a escola o espaço que melhor contribuiria para apetrechar o aluno para o trabalho, a vida, a cidadania. Para tal, defendia que ao professor não bastava ensinar a ler, escrever e contar.

Aurélio da Costa Ferreira foi também deputado e ministro, mas ficou desiludido com a política ativa. “Fui ministro. Foi esta a maior honra que alcancei, o maior sacrifício que fiz e o maior desgosto que até hoje experimentei. Hoje, em face do que para aí vai, não me contento já com não voltar a ser ministro; não quero ser político”, terá confessado. Veio a suicidar-se em Lourenço Marques, em 1922, com apenas 43 anos de idade.

João Godim
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