A obra artística de Amadeo de Souza Cardoso (1887-1918), apresenta-se, a partir de hoje, no Museu Soares dos Reis, no Porto, naquela que será uma grande exposição em referência à que o próprio pintor apresentou há cem anos, em Portugal.
Falecido com apenas 30 anos, em 1918, de gripe pneumónica, Amadeo, embora tenha morrido jovem, viveu em Paris, de 1906 a 1914, onde manteve contactos com os modernistas, e chegou a exibir e a vender o seu trabalho na capital francesa, nos Estados Unidos, na Alemanha e na Áustria.

Das 114 obras expostas no Porto, há um século, vão estar "aproximadamente 70 % das obras identificadas a partir dos catálogos originais", para esta exposição que fica patente ao público até 1 de janeiro de 2017.
Esta exposição conta ainda com um ciclo de conferências dedicadas a Amadeo. Como recorda o comunicado da exposição, a mostra de novembro de 1916, no Jardim Passos Manuel, "atingiu, em 12 dias, um número impressionante de visitantes (30 mil, relatou Amadeo ao crítico americano Walter Pach) e agitou a cidade", desencadeando, por vezes, reações agressivas e despertando a atenção da imprensa, enquanto, por outro lado, a exposição de dezembro de 1916, na Liga Naval Portuguesa, em Lisboa, "foi mais elitista e cativou, além da imprensa, o entusiasmo do grupo de 'Orpheu'".

Foi neste contexto que Almada Negreiros escreveu, num manifesto de apoio à mostra de 1916, que "a Descoberta do Caminho Marítimo p'rá Índia é menos importante do que a Exposição de Amadeo de Souza Cardoso, na Liga Naval de Lisboa".
Já este ano, em abril passado, o Museu Grand Palais, em Paris, recebeu uma grande retrospetiva do pintor português, uma mostra que atraiu milhares de visitantes. Recomenda-se.

João Godim
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