O futuro antecipado, mas ainda com certas reservas, é o que se vive já em vários áreas da natureza humana e animal, com o apoio dos avanços tecnológicos e científicos. O "admirável mundo novo" é uma constante nos dias actuais e quase que só existem o ilimitado e o infinito. Isto vem a propósito de mais uma "clonagem" - depois da célebre ovelha Dolly, o primeiro mamífero "clonado" em 1996 e que morreu em 2003, desta vez com um "gato insubstituível", chamado "Ajo".
Uma empresa de Pequim conseguiu clonar um gato pela primeira vez na China, um avanço científico que pode levar à clonagem de outros animais, como os Pandas. Segundo relata o jornal The New York Times, quando o Ajo morreu, o seu dono ficou destroçado. Perante o inevitável da morte, enterrou o corpo do animal num parque perto de casa, mas horas depois lembrou-se que tinha lido um artigo sobre clonagem de cães na China. Pensou, então, que essa seria uma boa solução para o seu caso. "No meu coração o Ajo é insubstituível", disse.
Não tendo o gato deixado descendência, a clonagem era o caminho, pelo que desenterrou Ajo e levou-o a uma empresa biotecnológica comercial de clonagem de animais; sete meses depois da morte do "gato insubstituível, o dono passou a conviver com uma "cópia" do felino. "É parecido em mais de 90%", afirmou o jovem chinês de 23 anos, que espera que o gato, nascido em Julho de uma gata portadora, tenha a mesma personalidade que o original.
Os proprietários de animais domésticos, com frequência traumatizados pela morte das suas mascotes, estão dispostos a pagar 250.000 yuanes (35.000 dólares) pela clonagem de um gato ou 380.000 (53.000 dólares) por um cão.
Nas últimas décadas os chineses apaixonaram-se pelos animais domésticos, que eram proibidos durante o período de Mao.
De acordo com um relatório da organização Pet Fair Asia e do site Goumin.com, os gastos relacionados com animais domésticos representaram no ano passado 171 bilhões de yuanes (23,7 mil milhões de dólares).
Mas a empresa não fica apenas pelos cães e gatos: de momento encontra-se a tentar clonar um cavalo e o próximo grande objetivo é clonar animais em extinção, incluindo pandas — processo que o país considera há 20 anos — e o tigre do sul da China.
Chen Dayuan, da Academia Chinesa de Ciências, afirmou o mês passado que a organização estava a estudar a possibilidade de clonar um panda utilizando uma gata como mãe portadora — embora um panda seja muito maior do que um gato na idade adulta, ao nascer o seu tamanho é similar e a gestação dura entre dois e três meses.

João Godim
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