Ver a Igreja Católica defender os colégios privados, manifesta claramente unilateralidade. Nada solene posicionar-se ao lado dos que dizem que o “ensino privado é melhor que o ensino público”.
A Igreja tinha, até final deste ano lectivo, prestes a terminar, 27 colégios financiados pelo orçamento do estado. A partir do próximo ano lectivo apenas 14 destes colégios vão ser apoiados com contratos de associação. Uma matéria amplamente explicada pelo governo e que a grande maioria dos portugueses apoia e facilmente compreende.
Ver a Igreja juntar-se (…) à manifestação de “amarelo” em Lisboa, num apoio expresso, não tácito, deixou sombras na solidariedade e imparcialidade que são “reinos” da Igreja. Em comunicado, a Conferência Episcopal apoia as manifestações que “defendam a liberdade de os pais escolherem a escola e projectos educativos que desejam oferecer aos seus filhos”(sic).
Esta posição da Igreja leva-nos a recordar Camões, nos Lusíadas, canto I "Que outro valor mais alto se alevanta":
> Será que todos os pais não gostariam de escolher as melhores escolas para os seus filhos?
> Admite a Igreja que haja escolas para quem pode e escolas para quem não pode?

Ainda no contexto do apoio dado pela Igreja à “marcha contra o governo”, alguma vez a Igreja manifestou público apoio, em comunicado, a favor de marchas contra o desemprego, pobreza, salários e muitas outras que têm ocorrido no país?
Enfim, um posicionamento "oportuno... e despropositado" que vai contra os próprios princípios defendidos por Bergoglio (Papa Francisco). Um pecado venial!

João Godim
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