O Parlamento (entenda-se, Assembleia da República) é o “pior sítio” da actividade política. A classificação é dada pela ex-ministra da Justiça e actual deputada do PSD, Paula Teixeira da Cruz. Já tínhamos conhecimento de atribuições críticas à AR, como “ninho de lacraus”, “sornas incompetentes”, “bestas e bestiais”, “algazarra aos gritos”, “na política as pessoas se comem umas às outras” etc., mas nunca pela boca de uma deputada, conhecedora abalizada dos passos, bancos e bancadas do hemiciclo.
“Pior sítio” é lixo, na tabela das agências de raking… é três pontos abaixo de lixo, falência total. Caso para alarme. É que naquela casa estão 230 pessoas (homens e mulheres), deputados indicados pelos partidos, partidos em quem nós votamos. Os eleitores não votam nos deputados, nem os conhecemos, votam nos partidos o que é votar de olhos vendados, gato por lebre.

De tal maneira desiludida com a política, a ex-governante dá a entender que chegou ao fim a sua participação no maquiavelismo politiqueiro. No caso do “pior sítio” toma relevância maior por se tratar da “casa das leis”, de um Parlamento que tem “competências legislativas e de fiscalização do poder executivo”. É uma realidade. Uma depreciação incómoda, mais ainda quando vem de uma deputada, jurista e ex-ministra da Justiça. Uma observação que é simultaneamente um acto de coragem.

João Godim
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