Manuela de Azevedo, a primeira jornalista portuguesa com carteira profissional, faz hoje (31 de agosto) 104 anos de idade e amanhã será distinguida pelo Presidente da República com a "Ordem da Liberdade".
Longa vida de uma mulher que na sua profissão atravessou épocas de censuras, mas sempre se afirmou coerente com as suas convicções e ideais. Antes de abraçar o jornalismo, foi professora do ensino particular até 1938; trabalhou depois no jornal República e foi chefe de redação do semanário/revista Mundial (1942-45).
Ingressou, como redatora, primeiro no Diário de Lisboa (1945-1958) e no Diário de Notícias, jornais onde manteve durante muito tempo colunas de crítica cultural, com destaque para trabalhos jornalísticos sobre Camilo Castelo Branco, Camões e Guerra Junqueiro. Foi dela a primeira reportagem sobre um bairro de lata em Lisboa, muitos anos antes do "25 de Abril", fintando as malhas da censura. Conseguiu algumas entrevistas consideradas raras - uma delas com o escritor Ernest Hemingway, Eva Perón, Calouste Gulbenkian e Rudolf Nureyev, entre outras celebridades.
Manuela de Azevedo é também escritora, com uma obra ficcional onde convergem o romantismo e o realismo, por exemplo, o livro de contos "Filhos do Diabo" (Prémio Fialho de Almeida, em 1954). Na poesia, publicou "Claridade", com prefácio de Aquilino Ribeiro, em 1935. Dedicou-se ainda à literatura juvenil, nomeadamente à adaptação das Lendas e Narrativas, de Alexandre Herculano.

João Godim
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