Eduardo Lourenço, um nome incontornável da cultura portuguesa das últimas décadas, celebrou esta semana o seu 92.º aniversário natalício (23 de Maio de 1923). Natural de São Pedro de Rio Seco (Beira interior) frequentou o Liceu da Guarda e formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde pontificava o Professor Joaquim de Carvalho (1892-1958) e onde se tornou assistente universitário.
Ainda na "Lusa Atenas" colaborou em diversas revistas de cultura e de crítica, publicando ensaios que mais tarde foram reunidos no livro em Heterodoxia I (1949). Em 1954 parte para um exílio voluntário e a partir de então torna-se docente em universidades estrangeiras, nas cidades de Hamburgo, Heidelberg, Montpellier, São Salvador da Baía, Grenoble e Nice; tendo fixado residência em Vence (França).
Depois da sua aposentação, em 1988, assumiu funções como conselheiro cultural junto da Embaixada Portuguesa em Roma, até 1991. E desde 1999 é administrador (não executivo) da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. O Centro de Estudos Ibéricos criou em sua homenagem o Prémio Eduardo Lourenço, atribuído desde 2005 e destinado a premiar personalidades ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cultura, cidadania e cooperação ibéricas. Este ano (2015), o Prémio foi atribuído à escritora Agustina Bessa-Luís (n. 1922).
Autor de uma vasta e significativa obra, o espólio de Eduardo Lourenço, que inclui milhares de documentos, como manuscritos inéditos e correspondência, já foi adquirido pela Biblioteca Nacional, por intermédio da Secretaria de Estado da Cultura (SEC). "Trata-se de um bem cultural fundamental para a investigação filosófica, literária, histórica e sociológica não só da obra de Eduardo Lourenço, mas do pensamento português dos séculos XX e XXI", diz a tutela.
O espólio inclui "uma grande quantidade de manuscritos do autor, alguns deles inéditos", desde finais dos anos 1940 até à actualidade, e "mais de 11.000 documentos referentes a correspondência" que Eduardo Lourenço manteve com figuras como Jorge de Sena, Vergílio Ferreira e Sophia de Mello Breyner Andresen.
Nos últimos anos, Eduardo Lourenço recebeu inúmeras distinções, entre as quais se destacam: Prémio Camões (1996), Officier de l’Ordre de Mérite pelo Governo francês (1996), Chevalier de L’Ordre des Arts et des Lettres pelo Governo francês (2000), Prémio Vergílio Ferreira da Universidade de Évora (2001), Prémio da Latinidade (2003), Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (2003), Medalha de Mérito Cultural pelo Governo português (2008), Medalha de Ouro da Cidade da Guarda (2008) e Encomienda de Numero de la Orden del Mérito Civil pelo Rei de Espanha (2009).
Eduardo Lourenço é ainda Doutor Honoris Causa pelas Universidades do Rio de Janeiro (1995), Universidade de Coimbra (1996), Universidade Nova de Lisboa (1998) e Universidade de Bolonha (2006).
Em Dezembro de 2011, foi-lhe atribuído o Prémio Pessoa. Em 2013, foi distinguido com o Prémio Jacinto do Prado Coelho pela obra Tempo da Música.
Considerado um dos maiores ensaístas e conferencistas da atualidade, Eduardo Lourenço é de opinião que: "A cultura não é o lugar de revelação alguma, é apenas o lugar onde todas as revelações são examinadas e discutidas sem fim. Para que cada um de nós possa viver dessa discussão infinita do mundo e de si mesmo."

João Godim
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