O Vaticano acaba de divulgar a Mensagem do Papa para o 52.º Dia Mundial da Paz, a celebrar no próximo dia 1 de Janeiro. No documento, intitulado "A Boa Política está ao Serviço da Paz", sublinha-se a necessidade de aproximar o exercício do poder político à comunidade, como um "serviço", caso contrário teremos uma política de "opressão, marginalização e até destruição".
No seu texto, o Papa Francisco aponta 12 vícios que actualmente retiram "credibilidade aos sistemas dentro dos quais ela se realiza, bem como à autoridade, às decisões e à acção das pessoas que se lhe dedicam”.

Um dos "vícios" é "a corrupção – nas suas múltiplas formas de apropriação indevida dos bens públicos ou de instrumentalização das pessoas”; os outros são:
> A negação do direito, a falta de respeito pelas regras comunitárias, o enriquecimento ilegal, a justificação do poder pela força ou com o pretexto arbitrário da «razão de Estado», a tendência a perpetuar-se no poder, a xenofobia e o racismo";
> A questão da "sustentabilidade" do Planeta, devido à "recusa a cuidar da Terra", e à "exploração ilimitada dos recursos naturais em razão do lucro imediato";
> O desprezo" para com aqueles "que foram forçados ao exílio", devido a fenómenos como a "guerra e o terrorismo", a "perseguição étnica e religiosa", a "pobreza e a desigualdade social", a "crise das migrações".

> "O terror exercido sobre as pessoas mais vulneráveis contribui para o exílio de populações inteiras à procura duma terra de paz. Não são sustentáveis os discursos políticos que tendem a acusar os migrantes de todos os males e a privar os pobres da esperança", alerta o Papa.
Ao longo da sua mensagem, Francisco reforça que "a política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem", mas quando a prioridade é "a busca do poder a todo o custo" ela "leva a abusos e injustiças".
O Papa salienta ainda a realização de vários actos eleitorais na Europa durante 2019, como uma oportunidade para se construir a verdadeira Paz, em que a "concórdia" ou acordos entre os diferentes protagonistas políticos não estejam subordinados "ao mero equilíbrio das forças e do medo", da "proliferação descontrolada das armas", entre outros grandes perigos.

Greta Thunberg, jovem de 15 anos, sueca, a discursar, esta semana, na ONU. Video > https://www.youtube.com/watch?v=VFkQSGyeCWg
O Papa deixa uma mensagem para as novas gerações, os mais novos, que devem encontrar o seu lugar na sociedade actual e do futuro. "Quando o exercício do poder político visa apenas salvaguardar os interesses de certos indivíduos privilegiados, o futuro fica comprometido e os jovens podem ser tentados pela desconfiança, por se verem condenados a permanecer à margem da sociedade, sem possibilidades de participar num projecto para o futuro", considera.

João Godim
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