Quando, em Dezembro de 1966, Salazar inaugurou o Panteão, após as famosas obras de Santa Engrácia que custaram muito sacrifício às contas da res pública, longe estava o todo-poderoso político de pensar que o seu esqueleto mortal ali não entraria. Foi sepultado, enterrado, num buraco rectangular, coberto de terra, no ‘panteão” de Santa Comba Dão, lá para os lados de Viseu. Justiça feita, dizem os novos líderes políticos e os opinion makers do séc. XXI, sem tabus. Dizem-nos que a panteãomania está em voga mas há quem teme que possa passar à síndrome da pantofobia, o que é de todo indesejável. O que se pede é que não façam do panteão nacional, inaugurado pelo ditador Salazar, um pavão desconceituado. Só isso. De resto, todos para o panteão, já! Mas… um da cada vez. Deixem para lá que os seniores da minha geração não ficam de mal por terem outros panteões à sua espera. Tal como o de Santa Comba Dão, só para o povo, a tal nação desconhecida, entre aspas, e esquecida que promove ‘aqueles, aqueloutros’ a deuses dos templos. Como escreveu Camões “mudam-se os tempo...".
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Ir para o Panteão não é ficar mais próximo do céu... é uma questão de estatuto, de memória, de reconhecimento, para sempre. Deus é único e está onde estamos!

João Godim
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