A partir de hoje, uma das lendas do futebol português - Eusébio da Silva Ferreira (1942 - 2014), também conhecido por "Pantera Negra", repousará no "Panteão Nacional". Um local de acolhimento emblemático para quem se notabilizou ou destacou por obras e valores que "da morte se vão libertando" e se posicionam como "modelos", "ícones" da identidade portuguesa, por "todos os séculos dos séculos sem fim", os chamados "heróis da Pátria".

Mas, se o "Panteão" é símbolo de uma certo orgulho, referência ou dignidade nacional, não deixa de ser curiosa a proliferação de propostas que se tem registado nos últimos tempos para a "trasladação" de "heróis" nossos contemporâneos para este espaço especial. É caso para dizer: o que antes era uma "raridade", agora tornou-se numa "banalidade", sem ofensa para quem quer que seja. Será que no passado os "heróis" eram assim tão desconhecidos ou interessavam apenas a uma "elite"? Quais os "critérios" que presidem a tal "escolha" de uns, entre tantos outros que merecem também ser homenageados desta forma? Não estaremos a cair numa "moda" com interesses exorbitantes?
Como diz o ditado, "dos fracos não reza a História", é preciso, pois, exaltar os nossos "heróis", mas não exageremos. Tudo tem o seu "peso e medida" e não convém ficar com a fama de que "não era necessário", como o tempo em que demoraram as "obras da Igreja de Santa Engrácia", e que significa algo que nunca mais acaba…, isto porque a conclusão das obras da Igreja de Santa Engrácia “arrastou-se” por quase 3 séculos, entre 1682 e 1966, tendo o templo ganho o estatuto de “Panteão Nacional” em 1916 como residência póstuma de ilustres figuras da História de Portugal, como por exemplo Almeida Garrett, Teófilo Braga, Guerra Junqueiro, Aquilino Ribeiro, Humberto Delgado, Sofia de Mello Breyner, Amália Rodrigues, agora Eusébio... No Panteão também estão os cenotáfios (monumentos funerários erigidos em memória de um morto, mas que não lhe encerra o corpo) de: Luís de Camões, infante D. Henrique, D. Afonso de Albuquerque, Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral.

A legislação relativa a estas situações prevê que as “honras do Panteão” destinam-se “a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade”.

João Godim
FREELANCER
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