A campa de Salazar, em Santa Comba Dão, é das mais visitadas do país. “Quase todos os dias recebe visitas, sobretudo no verão”, revela o presidente da junta de freguesia. O cemitério do Vimieiro, onde está sepultado o ex-chefe de governo do estado novo, está sempre de portas abertas e junto à sepultura há sempre vasos com flores.
Dizem-nos que “nalgumas datas fazem-se orações e até procissões”. António Oliveira Salazar (1889-1970), professor catedrático na Universidade de Coimbra, foi presidente do conselho de ministros durante mais de quatro décadas. Dizem as crónicas que administrou o país com métodos de ditadura, nasceu na pobreza, empobreceu o país e morreu pobre. À data da sua morte (27 de Julho de 1970), tinha cerca de 274 contos na CGD e bens, na sua terra natal, avaliados em 100 mil escudos.
Numa altura em que se choraminga a transladação de ex-políticos para o Panteão Nacional, a retoque de tambores democráticos mas sem “obra na governação”, Salazar que em tantos anos fez “bem, menos bem e mal” – não tem direito a mausoléu. Como alguém dizia “promover Sá Carneiro e esquecer Álvaro Cunhal, por exemplo, é desconhecer o caminho da luta pela liberdade e pela democracia”. Os túmulos no Panteão não devem ser ocupados por cores políticas, intelectuais nem desportivas. Tudo acaba em ossadas e todas as ossadas são iguais.

(Casa onde nasceu Salazar, no Vimieiro, Santa Comba Dão)

João Godim
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