Os abutres andam atrás dos animais apodrecidos ou às portas da morte. Surgem às dezenas nos céus da Guiné, com ar sinistro e devorador. Já os pavões elevam a crista e exibem a plumagem, alimentam-se da mesquinhez, andam em bicos de pé e são terrivelmente de má índole.
Há homens abutres e há homens pavões! Quais os mais obscenos? Sem dúvida que os pavões, são mesquinhos, vaidosos, obsessivos e cultivadores do egocentrismo. Andam a pavonear-se na política e no desporto, em todas as áreas, como se fossem donos de todo o saber (que muitas vezes pouco ou nada sabem).

Pavões tagarelas andam por ai. Doutorados sem licenciatura, licenciados sem frequência universitária, engenheiros, arquitectos, economistas, até escritores com livros publicados (escritos por outros), jornalistas a soldo. Manias e psicopatias. “Uns bardamerdas”, como classificou o ex-primeiro ministro de Portugal, Pinheiro de Azevedo.
As mesas redondas nas televisões e os comentários na imprensa cheiram a substância para abutre e matéria para pavão. Então o tema Sporting já cheira tão mal que já nem aos abutres interessa. Mas lá estão os pavões a dar picadas no ceguinho, a escavar em tudo quanto podem.

Mesas redondas, notícias e reportagens com todos os que estão contra o ceguinho. Não há contraditório. Críticas monocórdicas, a fazer lembrar os discursos dos ditadores impolutos. Atacar alguém sem dar oportunidade a que o mesmo se defenda só numa sociedade intelectualmente medíocre. Triste país que permite tamanha devassa.

João Godim
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