Era digital, sabedoria e paciência
As novas tecnologias e consequentes "redes sociais" são um facto que aproximam tudo e todos, modificam a nossa própria identidade e contribuem de forma permanente para um conhecimento geral das realidades.
Nunca houve tanta comunicação como hoje em dia, porque se vive numa era digital sem precedentes, com influências do mundo inteiro. No entanto, todas estas possibilidades não dispensam a sintonia mais pessoal, a vizinhança, o próximo, o aqui e agora, encontros de comunidade.
Como se costuma dizer, não basta estar em ligação com o mundo inteiro, seja de noite ou de dia, para que alguém se sinta realizado, satisfeito consigo próprio, útil aos demais. Neste contexto, talvez haja a necessidade de se procurarem alternativas para se questionar o essencial e ver qual o melhor caminho a seguir.

Aproveitando todas as "plataformas", sabe-se que muita gente utiliza os "facebooks", por exemplo, para desabafarem e dizerem de sua justiça, com grandes repercussões e respostas de apoio à maneira antiga dos conhecidos "confessionários" das igrejas. Precisamos de "dizer" e de "ouvir", trocar ideias num espaço físico, dialogar, com perguntas e respostas equivalentes ao estado de cada um e em dado momento.
E se com orgulho ousamos dizer que deixamos de nos "confessar" ou ir à "confissão", talvez seja melhor avaliar melhor o que fazemos ao nível da ultilização das "redes sociais", sob pena de nos defrontarmos com uma "contradição" descarada... O mesmo se poderia pensar da recusa em participar nas "procissões" e "peregrinações" religiosas, mas exaltamos as "corridas", os "trails", os "corta-mato", etç., porque sim, está na moda...
Neste aspecto, apetece dizer como Santo Agostinho (354-430 d.C.): "Não há lugar para a sabedoria onde não há paciência"; ou ainda Jean d' Ormesson (escritor francês, 1925-2017):

"A História evoluiu mais rapidamente nos últimos três, quatro séculos. Entrámos na era da modernidade e pós-modernidade. A ciência, a técnica, os números conquistaram o planeta. A razão levou a melhor, tomámos o lugar dos deuses à cabeça dos destinos do mundo (...)", mas será que precisamos de renegar tudo o que se relaciona com o essencial para se afirmar a modernidade?
"A vida é muito bela. É breve, e contudo dura muito tempo", sublinha Jean d' Ormesson no seu livro "O mundo é uma coisa estranha, afinal".

João Godim
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