Somos "muito pequeninos", limitados e finitos!
Há poucos dias, e em relação ao universo em que o Planeta Terra esta inserido, foi revelada a "primeira imagem de sempre de um buraco negro". Para os especialistas em matéria de galáxias e de tecnologias avançadas, tratou-se de "uma vitória do espírito humano e da técnica", ao mesmo tempo que se confirmou a certeza da Teoria da Relatividade Geral, de 1915, do físico Albert Einstein, que postula a existência de "buracos negros" como objectos cósmicos mais extremos do Universo, "corpos densos" que não deixam escapar nada, nem mesmo a luz.
Para a sua observação concreta foram necessários os "melhores radiotelescópios" e "pô-los a funcionar como um único para serem capazes de obter esta imagem", como "um telescópio do tamanho da Terra". E o resultado é deveras extraordinário, ainda que se saiba que o universo seja infinito, os astrónomos consideram que a parte "observável" tem quase "100 mil milhões de galáxias."
Há muito que se trabalhava neste objectivo, perto de 30 anos segundo os investigadores, adivinhava-se qualquer coisa de grandioso, mas ao mesmo tempo persiste a convicção de que quanto mais se avança, mais aquém ficamos do que realmente existe em termos de galáxias e de sistemas solares.
Conclusão, a espécie humana, integrada nesta atmosfera cósmica que, ainda por cima, contempla "buracos negros", fica reduzida a uma ínfima parte... E pensar que já se quis e quer ser o "dono disto tudo", o "mais poderoso" e o "mais importante"!, por via de um estatuto social, um cargo mais notório ou proprietário de um certo número de casas e acções na Bolsa...
Somos mesmo "muito pequeninos", limitados e finitos!... Até pelas conversas da política em geral, dos discursos dos governantes, que prometem mais do que podem dar, pode-se ver quanto valemos pouco... Só os grandes visionários, como os poetas e os profetas, conseguiram ver mais além de si próprios, porque estiveram à frente do seu tempo....
A este propósito, lembramos um texto de Fernando Pessoa (1888-1935), escrito em 1930 (in Obras Completas, vol. II editado pelo Lello & Irmão em 1986): "No alto ermo dos montes naturais temos, quando chegamos, a sensação de privilégio. Somos mais altos, de toda a nossa estatura, do que o alto dos montes. O máximo da Natureza, pelo menos naquele lugar, fica-nos sob as solas dos pés. Somos, por posição, reis do mundo visível. Em torno de nós tudo é mais baixo: a vida é encosta que desce, planície que jaz, ante o erguimento e o píncaro que somos.
Tudo em nós é acidente e malícia, e a esta altura que temos, não a temos; não somos mais altos no alto do que a nossa altura. Aquilo mesmo que calcamos, nos alça; e se somos altos, é por aquilo mesmo de que somos mais altos".

João Godim
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